Um espelho de tudo o que me vai pela cabeça

segunda-feira, abril 18, 2005

Dilema

Se tivesse de admitir três grandes defeitos perante o Mundo seriam a minha clássica desorganização, o meu proverbial feitio do contra e a minha mui incómoda indecisão. Se cada dilema fosse um muro, eu seria aquele ovo da Alice no País das Maravilhas (para aqueles que não tiveram infância, o tipo vivia "em cima" do muro).

Confesso que os dois primeiros não me têm trazido grandes problemas. Pelo que considero que são os meus defeitos soft. Agora o terceiro... Posso mesmo dizer que é a causa de mais de metade das minhas insónias (síndrome de que padeço com alguma frequência...). Confesso que consigo sofrer com este defeito mais do que seria razoável. É que a angústia da escolha prolonga-se muito para lá do momento da decisão. Pior: quanto maior é a certeza no momento da escolha, maior é a angústia que se lhe segue.

Há uns meses atrás vivi um desses momentos. Refastelei-me em cima do muro durante quase seis meses. De repente, tive a certeza. Todos os sinais apontavam na mesma direcção. Sabia que se escolhesse jornalismo o Mito cairia numa questão de instantes. Sabia que se fosse para um jornal não seria feliz. Sabia que me faltava o bichinho.

Resolvi (como sempre, e talvez seja aí que está o erro...) seguir o que o sangue me ditava. Queria experimentar uma coisa nova. Uma área onte apenas a criatividade me podesse salvar. Acreditei que esta era a única das minhas características em que valia a pena apostar. Dois meses mais tarde, a dúvida vai-se instalando.

Fui claramente enganada. Não pelo destino, nem pelos sinais, mas por uma figura demasiado real para que a possa ignorar. De criativo, o meu trabalho de hoje não tem nada, nem nada terá em tempo algum. Ao mesmo tempo, há coisa de duas semanas que não param de me lembrar do que seria ser jornalista. E sinto que há uma parte de mim que reage a isso. Na sexta-feira soube que a única crítica que levei a sério, tinha outra interpretação.

Hoje, sinto-me um pouco encurralada. De novo, perdi as minhas certezas. De novo não sei o que quero. Sinto-me demasiado nova para ver qualquer situação como definitiva, mas demasiado velha para simplesmente deixar correr.

Vejo-me de novo presa, refastelada, no cimo do muro.

2 Comments:

Blogger inês ucha said...

como bem sabes, compreendo-te totalmente. é dificil encontrar o equilibrio entre ser totalmente sonhador e inflexivel qt à concretização desses sonhos (e mais q isso, saber QUE sonho escolher...) e acomodar-se às voltas que a vida dá enquanto piscamos os olhos numa curva do caminho.
tb eu às voltas c esse dilema cheguei à conclusão q temos de ter a humildade de aceitar q n vamos à primeira ser protagonistas do nosso sonho, mesmo se acharmos q já o encontrámos. há montes de pessoas q tiveram q penar anos p chegar a esse mesmo sonho. por outro lado temos de manter ligado o "alerta anti-paspalhice" para n ficarmos presos na 1ª experiência q nos aparece q, por definição, n é p durar p sempre.
é assim, acho q durante uns tempitos vamos continuar a ser uns "humpty-dumpy" (n deve ser assim q se escreve) com equilibrio precário em cima dos nossos muros. mas é bom sinal. ao menos tás em cima do muro, n tás de um dos lados, a ignorar de todo a existência de um muro e de outras possibilidades. isso chama-se maturidade, miss jones. orgulha-te.

10:22 da tarde

 
Anonymous sara said...

pois eu ia dizer qq coisa mas miss-ucha adiantou-se e mto melhor c certeza.
gostei dessa analogia do muro. pois só te digo q ao menos n estás sozinha, tb eu estou em cima do muro, e se olhares para o lado aí estou eu!
N q isso te ajude a saber para q lado vais saltar, mas pelo menos é mais divertido.
Vou buscar uns cds e podemos falar c banda sonora...

3:05 da tarde

 

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