Um espelho de tudo o que me vai pela cabeça

domingo, março 06, 2005

A cabeça é um amontoado de pensamentos difusos. Imagens de ontem com imagens que talvez nunca tenham existido. Lembro-me mal das caras e das palavras. A pele está seca, porque o organismo necessita de cada molécula de água que consiga encontrar. A boca, seca, está entaramelada.

Depois de ver, na cama, o Eixo do Mal, que ontem deixei a gravar, resolvi combater a ressaca. Um duche de água quase fria acorda-me todos os sentidos. Ao sair da banheira já me reconheço no espelho. Depois inundo-me de óleo para bebé, como que a pedir desculpa à minha epiderme. Lavo três vezes os dentes e espalho pela cara o conteúdo de todos os frascos com um C (Clinique), a que consigo deitar a mão. Todo o processo é acompanhado por sofregos goles de água gelada, que sinto correr livremente pelos tubos digestivos.

Depois sou outra. Sou eu outra vez. E ninguém diria que bebi sequer ontem à noite. E resolvo enfrentar o sol.

 
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