Instinto Maternal
Quando era pequena os meus pais tinham um aquário daqueles à séria, grande e de água aquecida. A minha mãe gostava bastante daqueles peixes tropicais, pequenos e cheios de côr. Depois eu nasci, cresci e aprendi a usar a rede que serve para tirar os peixes do aquário quando este tem de ser limpo.
Ora, sempre tive um instinto maternal apurado, como todos sabem. E quando era pequena andava sempre com uma série de bonecas a fazerem-me de filhas - gostava particularmente de duas: um chorão chamado Vera e um Nenuco (trazido de Espanha, que na altura ainda não tinham chegado cá) chamado Rita.
E lembro-me de um ritual. Com a rede apanhava um peixe - de preferência o mais gorducho. Depois punha-o num prato, daqueles pequenos, de plástico côr-de-rosa que qualquer kitchen set tem. Esperava pacientemente que o peixe parasse quieto (eram tãããõoooo saltitões...), partia-o às postas e dava-o às minhas "filhas". É que nos três anos que já durava a minha vida sempre me tinham dito que "peixe é bom para as meninas crescerem"...
Acho que não sou assim tão diferente das leoas, chitas e demais fêmeas assassinas...
Para aqueles que ficaram preocupados: claro que os meus pais retiraram graciosamente o aquário lá de casa quando descobriram o que andava a fazer. E eu levei um valente raspanete e uma demorada explicação sobre a dimensão da minha asneira.

4 Comments:
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1:05 da tarde
Que horror!!!!lolol... eu não. Brincava um bocadinho com eles cá fora, fazia-lhes festinhas. e depois não percebia porque é que eles boiavam.... só.
2:11 da tarde
Que história mais macabra!! Nem com a desculpa do instinto maternal tens perdão! Talvez apenas pelo facto de seres criança e não saberes o que fazias. Ah! Também tive um Nenuco, vindo de Espanha, mas sempre fui mais de brincar com as barbies às executivas independentes. Nada de instinto maternal cá para estes lados, mas ao menos não fui uma criança asassina. :P
6:51 da tarde
Oh God! A minha mãe sempre me ameaçou de fazer pataniscas dos meus pássaros e espinafres com as folhas do meu bonsai. A ouvir histórias assim, começo a olhar para o prato lá em casa. Hrr!
2:01 da tarde
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